Resenha: Vitor Ramil - Tambong (2000)
- Eduardo Raddi

- 6 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Produzido por Pedro Aznar em Buenos Aires, o disco reúne grandes nomes da música latino-americana e transita entre introspecção, lirismo e experimentação.

Gravado em Buenos Aires e produzido por Pedro Aznar — renomado músico argentino e ex-baixista da lendária Serú Girán ao lado de Charly García — o álbum Tambong marca um momento singular na carreira de Vitor Ramil. Além de conduzir a produção, Aznar participa ativamente do disco, tocando baixo, guitarra, piano e acordeom. Sua experiência internacional é evidente: ao longo da carreira, ele já colaborou com nomes como Pat Metheny e Luis Alberto Spinetta, além de ter assinado os arranjos vocais do clássico Canción Animal, do Soda Stereo.

Com 14 faixas, Tambong é um projeto ambicioso e plural, que conta com participações especiais de peso. Egberto Gismonti, Lenine, Chico César e João Barone se somam ao elenco, enquanto as percussões ficam a cargo do argentino Santiago Vázquez. Entre os encontros mais memoráveis, destaca-se a parceria com Lenine em uma releitura em português de “Gotta Serve Somebody”, de Bob Dylan; a presença de Egberto Gismonti em “Foi no mês que vem”; e a colaboração de Chico César e João Barone em “Canção da Casa”.

O disco se abre com uma trinca irresistível. “Não é céu” inaugura os trabalhos com um arranjo jazzístico e uma linha de baixo fretless memorável. A letra, marcada por um toque surrealista, ganha ainda mais força com os improvisos de sopros que encerram a faixa. Em seguida, “Espaço” apresenta uma balada melancólica de beleza soturna, lembrando uma poesia leminskiana — influência literária que permeia todo o álbum. Fechando o trio inicial, “Grama Verde” aposta em um pop barroco de forte sotaque portenho, com Aznar assumindo o acordeom.
Outro grande momento é a lindíssima “Estrela, Estrela”, canção autoral de Ramil que se tornou um de seus clássicos, aqui interpretada com Pedro Aznar ao piano, em uma versão delicada e emocionante.

Literatura e música se entrelaçam ao longo de Tambong. Além das letras autorais, há espaço para duas releituras de Bob Dylan, uma poesia musicada de Allen Ginsberg e outra de Paulo Leminski, ampliando ainda mais a riqueza lírica do projeto.
Com arranjos sofisticados, letras de grande sensibilidade e um diálogo constante com a poesia, Tambong é um álbum que pulsa entre a introspecção e o lirismo. Ramil convida o ouvinte a mergulhar em suas muitas camadas — um trabalho que permanece instigante, revelando novas nuances a cada audição.
.png)


Comentários