Resenha: Bebeto - Bebeto (1975)
- Eduardo Raddi

- 3 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de set. de 2025
Bebeto Castilho iniciou sua trajetória musical ainda em meados da década de 1950, acompanhando brevemente o compositor e arranjador Ed Lincoln. Pouco depois, em 1957, passou a integrar a banda de Maysa, ao lado do pianista Luiz Eça e do baterista Hélcio Milito. Esse trio de músicos, que logo mostraria grande afinidade, viria a fundar anos mais tarde o influente Tamba Trio — conjunto que se tornaria um dos mais importantes da era da bossa nova, trazendo um ar contemporâneo à música brasileira a partir de seu LP de estreia, Tamba Trio (1962).

Além de seu papel fundamental no Tamba Trio, Bebeto deixou sua marca em gravações de peso: participou de O Canto Livre de Nara (1965), de Nara Leão, os autointitulados Milton Nascimento (1967), João Bosco (1973) e Chico Buarque (1978), além de Catedráticos, de Eumir Deodato (1973).
Mas é apenas em 1975 que Bebeto lança, pelo selo Tapecar, seu primeiro disco solo: o autointitulado Bebeto. Com arranjos assinados por Laércio de Freitas — um dos maiores nomes do ofício nos anos 1970 — o disco traz ainda participações de Luiz Eça (nos pianos e teclados) e produção de Hélcio Milito, que também assume a bateria. Bebeto, por sua vez, brilha no baixo, na flauta e nos vocais principais.

No LP, onde ouvimos influências principalmente de Chico Buarque e João Donato, a voz aveludada de Bebeto se encaixa com perfeição ao timbre cristalino do piano elétrico Rhoades, que se alterna de forma harmoniosa com o piano acústico. A sonoridade é conduzida por uma cozinha entrosada por anos de estrada com o Tamba Trio, e flutua entre momentos expansivos e introspectivos. A abertura, com “Batuque”, traz um samba vibrante, marcado por cavaquinhos e surdos. Já faixas como “Tristeza de Nós Dois” e “Razão de Viver” - que encerra o LP - mergulham na bossa-nova mais contemplativa.
No repertório, Bebeto interpreta composições de Eumir Deodato, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra, Pixinguinha, Joyce e Danilo Caymmi, em um disco que sintetiza com leveza e elegância as várias camadas da MPB dos anos 1970.
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