top of page

Tropical: O Disco perdido de Jorge Ben

  • Foto do escritor: Eduardo Raddi
    Eduardo Raddi
  • 6 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Baseado por regravações com arranjos diferenciados, Tropical é uma joia esquecida na discografia do compositor


Jorge Ben Tropical

Repleto de regravações — muitas com uma pegada funk e arranjos diferenciados — o LP Tropical, lançado em 1976, se tornou uma raridade, capaz de escapar até mesmo aos ouvidos de fãs mais atentos do artista. Neste projeto, Jorge Ben revisita algumas de suas composições mais conhecidas, oferecendo ao público uma nova perspectiva sobre seu repertório.


O disco foi gravado em Londres e arranjado por Richard Hewson, nome que já tinha em seu currículo trabalhos com artistas como os Beatles, James Taylor, Stan Getz, Renaissance, Supertramp e Fleetwood Mac. A experiência internacional de Hewson contribuiu para que Tropical tivesse uma sonoridade distinta, diferente dos outros projetos do compositor.


Richard Hewson
Richard Hewson (Foto: Reprodução/standardmusiclibrary

A sessão rítmica do álbum é outro ponto de destaque. Composta por Dadi no baixo e Gustavo Schroeter na bateria - ambos músicos que participaram do clássico Africa Brasil, lançado no mesmo ano - a base rítmica confere ao disco um swing único, capaz de equilibrar o samba tradicional com influências do funk e do disco em ascensão naquele período.


Em Tropical, Jorge Ben explora essas novas sonoridades e recria alguns de seus maiores sucessos, como “Chove Chuva”, “Taj Mahal” e “Mas Que Nada”, transformando-os com arranjos completamente diferentes dos originais. O álbum também traz composições menos lembradas do artista, como “Georgia” e “Jesus de Praga”, que ganham um brilho inédito sob essa nova roupagem.


Jorge Ben
Foto: Reprodução/Wikipedia Commons

O resultado é um disco cheio de nuances, que combina o samba característico de Jorge Ben com influências internacionais e experimentações sonoras que só um artista em constante evolução poderia propor. Tropical se destaca, assim, não apenas como uma coletânea de clássicos revisitados, mas como um registro de reinvenção e ousadia.


O design da capa é assinado pelo artista londrino Tony Wright, conhecido por suas artes para nomes como Traffic, Bob Marley e Bob Dylan, entre outros. A arte reforça o caráter antropofágico do projeto e a ambição de Jorge Ben de dialogar com tendências musicais globais sem perder em nenhum momento as raízes tropicais (como o título do álbum bem diz).


Capas Tony Wright
Capas icônicas de Tony Wright

Comentários


Todos os direitos reservados. Som do Raddi

bottom of page