10 grandes músicas de Brian Wilson (pós Pet Sounds)
- Eduardo Raddi

- 7 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 8 de set. de 2025
Camadas, harmonias, epifanias e turbulências: a jornada sônica de Brian Wilson depois de reinventar o pop.

Acho que ninguém é musicalmente educado até ter ouvido Pet Sounds. Eu amo a orquestra, os arranjos – pode ser exagero dizer que é o clássico do século – mas, para mim, certamente é um disco totalmente clássico e imbatível em muitos aspectos. Muitas vezes ouvi Pet Sounds e chorei.— Paul McCartney (trecho retirado da Far Out Magazine)
Que Pet Sounds (1966) é uma obra-prima e marco incontestável da música pop, não é novidade. Mas o que por vezes passa despercebido é que, mesmo atormentado por problemas pessoais após esse auge criativo, Wilson continuou a compor canções de enorme beleza, complexidade e inventividade. Esta lista reúne dez delas:
Heroes and Villains (1967)
Smiley Smile
“Heroes and Villains” abre Smiley Smile com uma energia radiante, mas logo se fragmenta em diferentes atmosferas, revelando uma estrutura nada previsível que surpreendeu os fãs em 1967. A letra de Van Dyke Parks, carregada de imagens poéticas e enigmas, reforça a complexidade da faixa, que revela o gênio pop de Brian Wilson em seu estado mais inventivo.
Wind Chimes (1967)
Smiley Smile
Presente no mesmo LP, “Wind Chimes” mergulha de vez no experimentalismo. É uma faixa introspectiva, marcada por um órgão intenso (às vezes substituído por um piano que soa quase desafinado), efeitos sonoros e texturas que percorrem toda a música. Assim como em Heroes and Villains a estrutura é incomum, e os vocais alternam entre sussurros e falsetes — um exercício de atmosfera e estranheza que, de alguma forma, funciona de maneira brilhante.
Wild Honey (1967)
Wild Honey
Lançado em dezembro de 1967, o LP Wild Honey marcou uma breve guinada dos Beach Boys para um som mais cru e direto em meio a LPs mais ousados. A faixa-título é enérgica, com teclados vibrantes e vocais intensos, revelando um Brian Wilson menos grandioso que nos discos anteriores, mas ainda inspirado.
Darlin’ (1967)
Wild Honey
Outra joia do álbum é “Darlin’”, um pop lindamente construído, cheio de energia e melodias cativantes. A canção mostra Brian Wilson em sua faceta mais direta e acessível, sem abrir mão da sofisticação harmônica que caracteriza seu trabalho. Anos depois, “Darlin’” ainda ecoaria no imaginário musical ao inspirar o nome da primeira banda dos jovens franceses que mais tarde formariam o Daft Punk.

Anna Lee, The Healer (1968)
Friends
"Pet Sounds é de longe meu melhor álbum, embora o meu favorito seja Friends", escreve Brian Wilson no encarte da reedição em CD de Friends. "Acho que o som dos Beach Boys estava se desenvolvendo constantemente. Eu tinha desenvolvido um sexto sentido para as vozes de todos."
Em "Anna Lee the Healer" é possível ouvir sobre o que Brian estava dizendo quanto aos vocais. A letra foi escrita por Mike Love, mas definitivamente são os arranjos vocais que se sobressaem nessa canção curta porém marcante.
Do It Again (1969)
20/20
"'Do It Again' foi escrita por Brian Wilson e Mike Love na casa de Mike em apenas 45 minutos. A rapidez do processo criativo contrasta com o impacto duradouro da faixa - uma celebração energética e nostálgica do espírito que marcou o início da carreira da banda. A música captura com perfeição o sentimento de liberdade, juventude e sol californiano, mas desta vez com uma maturidade sonora notável. O uso marcante de baterias com reverberação, os riffs simples porém memoráveis e os vocais sempre no ponto fazem desta uma faixa curta, direta e contagiante.
All I Wanna Do (1970)
Sunflower
“All I Wanna Do” antecipa o dreampop em pelo menos três décadas. Composta por Brian ao lado de Mike Love, soa incrivelmente à frente de seu tempo. Sua produção e composição já apontam caminhos que seriam trilhados muito depois por artistas distintos entre si como Slowdive e Animal Collective.
Trata-se de uma canção envolta em camadas, onde cada nova audição revela detalhes sutis: pedais e efeitos criam uma atmosfera onírica e texturizada, enquanto backing vocals propositalmente atrasados, quando ouvidos com atenção, parecem flutuar ao redor da melodia principal, ampliando a sensação de suspensão e devaneio.

Surf’s Up (1971)
Surf’s Up
“Surf’s Up” originalmente integraria o álbum Smile - trabalho conceitual que Brian Wilson desenvolvia ao lado do letrista Van Dyke Parks. O LP em questão foi engavetado, mas a música saiu no álbum de mesmo nome, de 1971. É uma das faixas mais geniais da carreira de Brian.
Ela segue uma linha lírica marcada pelo fluxo de consciência, ambígua e enigmática. O vocal é estupendo e o arranjo cria uma crescente gradativa até as harmonizações do final, que surgem de forma quase celestial. É uma epifania sonora conduzida por Brian Wilson em seu estado mais etéreo.
’Til I Die (1971)
Surf’s Up
Certa noite, Brian, em meio a uma crise existencial numa praia na Califórnia, observava o oceano à noite e se questionava em relação à sua imensidão e sobre a infinidade do universo. Ele passou as próximas semanas tentando representar o que sentiu em forma de música (isso de acordo com sua autobiografia de 1991). O resultado foi essa faixa, cuja letra traz uma série de questionamentos existencialistas: “O quão fundo é o oceano?”, “O quão longo é o vale?”, “Por quanto tempo o vento vai soprar?”
A Day in the Life of a Tree (1971)
Surf’s Up
Composta por Brian Wilson ao lado de Jack Rieley, a música poderia mover montanhas, tamanho é o seu poder e sua crescente. Rieley canta lindamente essa representação do tempo, da passagem da vida e da morte, com harmonizações que se potencializam ao lado do órgão.
A sonoplastia que apresenta os pássaros e os sons da floresta acrescenta ainda mais para o conceito da fluência do tempo. Quando não se imagina que ela possa crescer mais, a faixa gradativamente se agiganta e causa ainda mais impacto. É assombrosamente magistral.
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