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As melhores baladas do Thin Lizzy

  • Foto do escritor: Eduardo Raddi
    Eduardo Raddi
  • 10 de set. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 13 de set. de 2025

Com guitarras gêmeas, faixas acústicas, letras marcantes e instrumentais memoráveis, a (subestimada) banda irlandesa tem um catálogo de baladas de causar inveja


Thin Lizzy
Thin Lizzy (com Gary Moore). (Foto: Reprodução/Wikipedia Commons)

Dublin

New Day EP (1971)


Dublin Thin Lizzy

Dublin saiu em 1971 no EP New Day e acabou ficando de fora do primeiro LP da banda. É, provavelmente, a canção mais folk da carreira do Thin Lizzy, centrada em um belo arranjo de violões e marcada por um clima intimista e nostálgico. Na letra, Phil Lynott canta sobre sua cidade natal com um misto de amor, frustração e saudade.


Honesty Is No Excuse

Thin Lizzy (1971)


Honesty Is No Excuse, do álbum de estreia Thin Lizzy (1971), é uma das letras mais bonitas escritas por Phil Lynott. Um relato extremamente poético sobre culpa e fragilidade emocional.

O arranjo é elevado pelo mellotron atmosférico de Ivor Raymonde (músico de estúdio prolífico), que dá à faixa uma textura quase cinematográfica. Brian Downey entrega uma performance inspirada, com viradas estonteantes permeando a faixa.


Sarah

Shades Of A Blue Orphanage (1972)


Quarta faixa do segundo LP da banda, Sarah foi escrita em homenagem à avó de Phil Lynott, que o criou. A canção se destaca por sua delicadeza e pelos arranjos de tom quase barroco, refletindo a sensibilidade característica do compositor. O piano, tocado por Clodagh Simonds — então integrante da banda de rock progressivo irlandesa Mellow Candle —, conduz a atmosfera suave e introspectiva da faixa.


Com poesia tenra, instrumentação refinada e clima intimista, Sarah revela a capacidade de Lynott de traduzir emoções profundas em melodias memoráveis. Clodagh Simonds viria a colaborar também com artistas como Mike Oldfield e Jade Warrior, consolidando a relevância de seu talento além desta participação.


Thin Lizzy Eric Bell
Thin Lizzy em seus primórdios, na fase power trio. Foto: Reprodução/Guitar Player)

Whisky in the Jar

Single (1972)


Lançada como single em 1972, Whisky in the Jar é um caso raro da época: uma faixa avulsa que acabou se tornando um dos maiores clássicos da banda. Inspirada em uma canção popular irlandesa, a gravação traz o sotaque irlandês em cada detalhe — do timbre caloroso de Phil Lynott ao arranjo direto, que equilibra simplicidade com energia. O resultado é uma balada tradicional reinventada com personalidade, capaz de atravessar décadas sem perder o frescor. Não à toa, foi regravada anos depois pelo Metallica, levando a história da banda a novos públicos e consolidando a canção como um hino universal.


Whisky in the Jar

Little Girl in Bloom

Vagabonds of the Western World (1973)


Presente no subestimado Vagabonds of the Western World (1973), último disco com Eric Bell na guitarra, Little Girl in Bloom é uma das composições mais delicadas de Phil Lynott. A canção, marcada por melancolia e contemplação, aborda com rara sensibilidade as dificuldades de uma gravidez precoce vivida por uma jovem solitária. A interpretação ganha ainda mais força com a guitarra de Eric Bell, que se destaca em efeitos e fraseados carregados de emoção e personalidade.


Here I Go Again

Single (1973)


Here I Go Again, lançada originalmente como lado B do single The Rocker, é uma balada lenta e densa, impregnada de melancolia e de um certo existencialismo embriagado que atravessa a interpretação de Phil Lynott. A canção carrega um ritmo arrastado, quase vacilante, como se traduzisse em som o peso de uma noite solitária em um pub irlandês.


Curiosamente, a faixa acabou ficando de fora do LP Vagabonds of the Western World, só ganhando espaço em edições especiais posteriores.


Thin Lizzy Eric Bell trio
Eric Bell marcou a fase power trio da banda. (Foto: Reprodução/BBC)

Still in Love With You

Nightlife (1974)


Still in Love With You, do álbum Nightlife (1974), é uma da balada emocionalmente visceral e poderosa. Phil Lynott divide os vocais com o cantor escocês Frankie Miller, e juntos constroem uma performance inesquecível - uma verdadeira conversa entre dois corações partidos, marcada por fragilidade e intensidade.


O ponto alto chega com o solo de Gary Moore, que não apenas complementa a canção, mas aumenta sua grandiosidade: um desabafo em forma de melodia. A guitarra soa como a terceira voz do diálogo.


Dear Heart

Nightlife (1974)


Dear Heart encerra o álbum Nightlife (1974) e se destaca como uma das baladas mais sutis do Thin Lizzy. A faixa é conduzida pelo teclado suave e melancólico de Jean Roussel — músico que também acompanhava Cat Stevens - responsável por estabelecer desde os primeiros acordes uma atmosfera de introspecção e recolhimento. Sem pressa, Phil Lynott canta com uma delicadeza quase confessional, com o retrato de um lamento íntimo. O riff de baixo, simples, pausado e expressivo, reforça essa atmosfera. À medida em que a canção se desenvolve, os sopros ganham espaço e crescem até o fade out que a encerra.


Thin Lizzy
Thin Lizzy já na fase das guitarras gêmeas. (Foto: Reprodução/Wikipedia Commons)

Wild One

Fighting (1975)


Wild One é uma canção tipicamente “lizzyana” e uma excelente porta de entrada para quem quer conhecer o som da banda. É marcada pelas guitarras gêmeas de Scott Gorham e Brian Robertson, que atravessam a música navegando em uma mistura irresistível de suavidade e potência. Os vocais de Phil Lynott, delicados e cheios de expressão, completam o clima agridoce da canção, tornando-a memorável dentro do repertório do grupo.


Spirit Slips Away

Fighting (1975)


Spirit Slips Away é uma balada existencialista de Phil Lynott, com uma lírica forte, que encara a morte de forma crua e inevitável. O riff de guitarra é sombrio e a sonoplastia do vento finaliza a faixa como se representasse o encontro com o desconhecido de forma inquietante e poética.


Sweet Mary

Johnny The Fox (1976)


Escrita por Lynott ao lado do guitarrista Scott Gorham, Sweet Mary é uma daquelas faixas impecáveis, onde tudo está em seu devido lugar. Da rufada brilhante de Brian Downey que abre a canção, passando pelas guitarras flutuantes de Brian Robertson e Scott, até o vocal suave e cheio de sentimento de Phil Lynott. tudo contribui para criar uma atmosfera etérea, melancólica e irresistível.


Running Back

Jailbreak (1976)


Running Back saiu como single do clássico Jailbreak (1976). A música traz o compositor Phil Lynott em sua faceta mais vulnerável, cantando sobre arrependimento e saudade com ternura e honestidade. O teclado de Tim Hinkley (convidado especialmente para a gravação, a contragosto de Brian Robertson) acrescenta uma atmosfera suave e nostálgica, que contrasta com o som mais pesado do resto do álbum.


Thin Lizzy
A banda em meados dos anos 70. (Foto: Reprodução/Discogs)

Fight or Fall

Jailbreak (1976)


Em meio à eletricidade de Jailbreak, Fight or Fall surge como um respiro calmo e contemplativo, com uma levada digna de Motown ou Stax, quase soul. A faixa convoca a união e a resistência com lirismo e esperança: “Brothers, let us stand up and fight” (“irmãos, vamos levantar e lutar”). As guitarras de Scott Gorham e Brian Robertson aparecem com sutileza e bom gosto, enquanto Brian Downey, como sempre dita o ritmo de forma impecável.


Dancing in the Moonlight

Bad Reputation (1977)


Carro-chefe do LP Bad Reputation (1977), Dancing in the Moonlight não é à toa um dos maiores clássicos da carreira do Thin Lizzy. A linha de baixo de Phil Lynott é simplesmente hipnotizante e dialoga perfeitamente com o saxofone envolvente de John Helliwell (do Supertramp). A voz de Lynott, charmosa e confessional, transforma a faixa numa celebração melancólica da noite, da solidão, da nostalgia e da embriaguez sentimental.


Gary Moore
Gary Moore ao lado de Phil Lynnot. (Foto: Reprodução/Facebook)

Don’t Believe a Word (Slow Version)

B-side (1979)


Na versão lenta e bluesy de Don’t Believe a Word, o que era antes um hard rock visceral anos antes no LP Johnny The Fox, agora vira um blues cadenciado com uma linha de baixo simples mas marcante e solos de guitarra no maior estilo Peter Green (uma das maiores influências de Moore).


Além disso, é um encontro de vozes gigantes, que contrastam na medida certa e acrescentam um ‘feeling’ cativante para a faixa. A versão lenta apareceu primeiro no disco solo de Gary, Back On The Streets (1978) que conta com a participação de Downey e Lynott. Posteriormente foi lançada uma segunda versão, como B-side do LP de 1979 do Thin Lizzy, Black Rose, na edição deluxe de 2011.


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