A obra-prima de Djeli Moussa Diawara
- Eduardo Raddi

- 9 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Lançado em 1983, em Abidijan (Costa do Marfim), quando Moussa tinha apenas 20 anos, Yasimika é um marco na música tradicional Mandinga.

Nascido em 1962 em Kankan, na Guiné, Jali Musa Jawara – popularmente conhecido como Djeli Moussa Diawara – teve contato com a música logo jovem, pois seu pai, um Griot que tocava Balafom (instrumento africano precursor do Xilofone). Sua mãe, era uma cantora e seu irmão, Mory Kante, tocava no grupo marfinense Rail Band, ao lado do importante cantor e compositor Salif Keita.
Seguindo os passos do irmão, Moussa mudou-se para a Costa do Marfim, onde, aos 20 anos, assinou com a AS Records para gravar seu primeiro disco. Apesar da importância histórica de Yasimika, o álbum permanece praticamente esquecido pela cultura ocidental. Pouco se sabe também sobre os músicos que o acompanharam na gravação, ainda que sua contribuição tenha sido fundamental: Kouyaté Djelimoridjan no balafon, Lamine Kouyaté e Kissiman nos violões, e as cantoras Djanka Diabaté, Fanta Kouyaté e Djenin Doumbia, responsáveis pelas delicadas harmonizações vocais que enriquecem a obra.

O jovem compositor era virtuoso na kora – uma espécie de harpa de braço longo com 21 cordas, construída artesanalmente e típica da África Ocidental. De sonoridade única, o instrumento secular tem sido objeto de inúmeras pesquisas antropológicas devido ao seu papel central na tradição cultural do povo mandinga.
Ouvir Yasimika pela primeira vez é uma experiência surpreendente. Gravado em um momento em que a música africana experimentava novas formas e absorvia elementos contemporâneos, Djeli Moussa soube aproveitar os recursos de produção que se modernizavam naquela época para criar uma verdadeira aula musical de sensibilidade e beleza rara. O resultado é um disco que, mesmo dialogando com a modernidade, se mantém eloquente ao valorizar as facetas mais tradicionais do folclore da África Ocidental.
A junção da kora e do balafon, reforçada pelo violão e pelas harmonizações vocais que respondem ao canto de Moussa, constrói uma textura sonora rica e equilibrada. O álbum apresenta uma fluidez natural, fruto do entrosamento evidente entre os músicos. Composto por quatro faixas extensas, o disco desenvolve-se em diálogos constantes, nos quais o improviso conduz a narrativa musical. Essa estrutura confere à obra um caráter meditativo, quase ritualístico, capaz de prender o ouvinte em sua atmosfera singular.

O LP foi lançado originalmente em 1983, pela AS Records, na Costa do Marfim, e pelo selo Tangent, na França. Depois disso, só voltou a circular em relançamentos no Reino Unido e, em 1990, nos Estados Unidos, exclusivamente em CD e já com uma capa diferente da edição original.
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