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Resenha: Edu Aguiar - Todas as Esquinas do Mundo

  • Foto do escritor: Eduardo Raddi
    Eduardo Raddi
  • 11 de abr.
  • 3 min de leitura

Edu Aguiar articula influências da MPB setentista em um álbum marcado por amplas parcerias e uma rica paleta de arranjos e lírica



Nem só de influências vive um artista, mas elas dizem muito sobre como ele pode soar. E, neste álbum, essas referências se sintetizam de forma certeira. Marcado pelo legado de artistas ímpares da MPB setentista, o compositor e cantor Edu Aguiar apresenta um projeto muito rico ao lado de parceiros de peso, dentre eles Geraldo Azevedo, Rildo Hora e Xangai.


O LP abre com a faixa-título, uma ode a Milton Nascimento que remete diretamente ao universo do Clube da Esquina, com vocalizações que evocam especialmente “Clube da Esquina 2”. Canção seguida por “Sol Poesia Luar” (Edu/Murilo Antunes) que também traz essa atmosfera para o centro da faixa, desta vez, com uma abordagem mais próxima de Lô Borges.


“Fica Perto de Mim” (Edu/Fred Martins/Luiz Tatit) é uma canção doce, mas atravessada por um sutil tom melancólico, com ecos de Nana Caymmi e uma poesia que remete a Aldir Blanc. Já em “Desta Vez”, parceria com os mesmos autores, Edu traz uma bossa de cadência fluida que evoca Caetano Veloso, novamente sustentada por uma lírica que dialoga com o universo de Blanc.


O álbum segue com “Acalanto” (Edu/Marcelo Diniz), que se inicia e se encerra com o coro magnético do grupo paraibano de cirandeiras Vó Mera e as Netinhas, surgindo sobre a cadência de um maracatu. As vozes entoam os versos que, em seguida, ganham a interpretação de Edu — uma letra dedicada a seus filhos. A faixa ainda conta com a participação de Xangai.



“Invenção do Desejo” traz a participação de Geraldo Azevedo como letrista, enriquecendo a balada, que também se destaca pelos arranjos refinados, com destaque para a guitarra. Em “Passa” (Carlos Gomez), Edu traduz uma canção do compositor uruguaio e incorpora a influência do país que é, até hoje, sua segunda casa. Outra faixa que se destaca pelos arranjos, desta vez conduzidos por um piano hipnotizante, é “A Dona da Cena” (Edu/Ivan Santos), que também conta com a poesia de Ivan Santos, que infelizmente faleceu antes do lançamento do disco — consolidando-se como um dos pontos altos do álbum.


“Dia Não”, poema de José Saramago musicado por Edu, promove um intercâmbio forte e inusitado — no melhor sentido — entre a música mineira e a portuguesa, potencializado pela guitarra lusitana de Rui Poço. “Claro Que É Você” (Edu/Luiz Tatit) traz mais um amálgama musical, desta vez articulando a influência mineira com a vanguarda paulista, incorporada pela participação de Ná Ozzetti e Luiz Tatit, ambos integrantes do grupo Grupo Rumo, referência dessa cena.




“Paz e Sossego”, canção integralmente composta por Edu, encerra o LP como uma ode à MPB, em uma letra que evoca nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento e Paulinho da Viola, entre outros.


“Todas as Esquinas do Mundo” se revela, assim, não apenas como um tributo ao Clube da Esquina e à música mineira, mas como um percurso que atravessa a canção carioca e ecoa em territórios de São Paulo, da Paraíba, de Pernambuco e da Bahia, com passagens também por Portugal e Uruguai. Soma-se a isso a pluralidade de parcerias que Edu articula ao longo do disco, formando uma força coletiva que remete diretamente ao espírito do próprio Clube da Esquina.

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