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The Last Poets: os pioneiros do Rap

  • Foto do escritor: Eduardo Raddi
    Eduardo Raddi
  • 19 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 20 de set. de 2025

Pré-datando o rap e o hip-hop em quase duas décadas, o The Last Poets lançou as bases do gênero e se tornou referência para seus principais nomes.


The Last Poets
Jalal Mansur Nuriddin, Abiodun Oyewole e Umar Bin Hassan. Foto: Michael Ochs Archives

Os últimos poetas


Desde a escolha do nome, o grupo já carregava um gesto de transgressão. 'Os Últimos Poetas' surgiu em tributo ao poeta sul-africano Keorapetse Kgositsile, que acreditava viverem os derradeiros dias da era dos poetas antes do que chamava de 'era da violência'


O The Last Poets foi formado em 1968, no Harlem, por Gylan Kain, David Nelson e Abiodun Oyewole. O nascimento do grupo coincidiu com um momento histórico turbulento: dois meses após o assassinato de Martin Luther King e na data em que Malcolm X completaria 43 anos, caso estivesse vivo. A formação inicial não durou muito. Kain e Nelson seguiram outros rumos, e Oyewole recrutaou Alafia Pudim e Ummar Bin Hassan para seguir adiante com o projeto.


Em 1970, com uma lírica inflamada pelos ideais revolucionários de Malcolm X, os poetas transgressores lançariam seu primeiro álbum, de título homônimo, misturando ardentes versos a hipnotizantes linhas de percussão tipicamente africanas, numa música que reflete seu tempo e temas que, infelizmente ressoam profundamente nos dias de hoje.


Last Poets
The Last Poets. (Foto: Reprodução/Wikipedia Commons)

De acordo com o grupo, em entrevista ao canal Global Faction, a poesia foi o instrumento que encontraram para canalizar a indignação diante de uma sociedade sufocada pela segregação racial. Esse grito ganhou ainda mais força graças à produção de Alan Douglas, que trazia no currículo parcerias com artistas do calibre de Jimi Hendrix, Miles Davis e John McLaughlin.


Embora ignorado pela grande mídia, o primeiro álbum do The Last Poets começou a fazer certo sucesso. O grupo se apresentava com frequência no East Wind - um espaço cultural do Harlem voltado ao movimento negro, onde dividiam o palco com nomes lendários como Albert Ayler, Babatunde Olatunji e Pharoah Sanders. O grupo também costumava se apresentar no National Black Theatre, complexo artístico igualmente ligado à luta negra, que permanece ativo até hoje.

Algum tempo depois, Oyewole foi condenado a três anos e meio de prisão por roubar objetos de uma reunião da Ku Klux Klan, forçando o recrutamento do percussionista Nilaja ao coletivo.


The Last Poets
The Last Poets - The Last Poets (1970)

Em 1971, o grupo lançou seu segundo disco, This is Madness, que os colocou na mira da COINTELPRO, programa de contrainteligência do governo de Richard Nixon financiado pelo FBI. O serviço tinha como alvo movimentos considerados 'subversivos', como comunistas, ativistas do movimento negro e feministas. Sobre o clima da época, Oyewole comentou em entrevista ao The Guardian: "Hoje em dia eu sou contra, mas naquela época eu tratava minha .38 Special como se fosse uma carteira."


Hustler’s Convention


Em 1973, Alafia Pudim ampliou ainda mais o legado do The Last Poets com seu álbum solo Hustler’s Convention, creditado como 'Lightning Rod'. O LP conceitual, precursor do gangsta rap, trouxe Alan Douglas como produtor em três faixas – 'Sport', 'The Bones Fly From Spoon’s Hand' e 'Four Bitches is What I Got' – e teve o Kool and the Gang como banda de apoio, enquanto Buddy Miles assinou o instrumental da sexta faixa, 'Hamhock’s Hall Was Big', consolidando o disco como marco.


Ao contrário do primeiro disco do Last Poets, Hustler’s Convention foi um fracasso comercial, e como tantos outros, anos depois se tornou cultuado, principalmente pelos baluartes do gênero, como os Beastie Boys, Naz, Public Enemy e Grandmaster Flash. Pode-se afirmar que o The Last Poets, juntamente com o trabalho solo de Alafia Pudim e pioneiros como Gil Scott-Heron, formaram alguns dos principais alicerces para o surgimento do rap e do hip-hop. O legado dessas obras é fundamental, influenciando gerações de artistas e consolidando a base do gênero.


O Last Poets segue, cinco décadas depois, trazendo sua ainda muito relevante mensagem sobre racismo e justiça social através da poesia e da música. O último disco do grupo, africanism (2024), foi feito em parceria com o lendário baterista do fela kuti e co-criador do afrobeat, tony allen, que gravou suas partes remotamente em 2019, meses antes de seu falecimento).

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